Relato 20 de junho de 2026

Night Run Floripa Airport 2026: fui pela festa e a chuva me fez correr

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Night Run Floripa Airport 2026: fui pela festa e a chuva me fez correr
Foto: Night Run Floripa Airport (confirmar crédito)

Uma corrida noturna de 10k dentro do Aeroporto Hercílio Luz, em volta da pista, com avião decolando e pousando do lado. Eu me inscrevi pela experiência, pra correr e contemplar. Aí choveu.

O que era pra ser passeio virou prova: fechei o chip em 44:40 e terminei em 39º geral, correndo a 160 batimentos de média sem ter planejado atacar nada. A chuva me transformou de turista em competidor.

Aqui fica o relato da noite mais diferente da temporada: o percurso pelo saguão de embarque, o corta-vento que salvou a corrida, os 300 metros que faltaram, a inscrição cara e o pós-prova com Aperol e telão da Copa.

Neste post

Gravei a prova inteira ao vivo no canal:

Por que eu fui: uma corrida dentro do aeroporto

Não teve nada de mandala aqui. A Night Run Floripa Airport foi prova avulsa, escolhida por um motivo só: a ideia de correr de noite em volta da pista do Aeroporto Hercílio Luz, com avião decolando e pousando do lado, é o tipo de cena que você não vê em corrida nenhuma.

E não é só a pista. O percurso passa por dentro do terminal, pelo saguão de embarque, escada rolante e tudo. É estranho e ótimo ao mesmo tempo: você corre num lugar onde normalmente está arrastando mala e olhando painel de voo.

Corredor descendo a escada rolante dentro do terminal do Aeroporto Hercílio Luz durante a Night Run Floripa Airport, de jaqueta preta impermeável e tênis Asics Megablast verde, com outros corredores de camiseta amarela atrás
O percurso entrava no terminal: escada rolante do saguão de embarque, garrafa numa mão e o celular na outra pra transmitir. Foto: Night Run Floripa Airport.

A largada foi às 20h, a organização é da Sportsland (a mesma da Meia Oakberry de Floripa), e a proposta é clara: menos prova, mais festa. Tinha DJ antes da largada, espaço de festa montado, a coisa toda pensada pra ser uma noite boa. Eu entrei nessa. Fui pra correr tranquilo, filmar e curtir.

Aí choveu

Choveu forte no dia e continuou pingando durante a prova. À noite, com vento, virou aquele frio molhado que estraga qualquer plano de “correr contemplando”. O termômetro do relógio marcou de 18 a 22°C, mas a sensação com a roupa encharcada foi de frio de verdade.

A salvação foi de última hora: passei na Centauro e comprei um corta-vento impermeável selado da Nord (esse aqui). Recomendo demais. Segurou a água, cortou o vento e foi o que me deixou correr sem passar raiva. Numa prova noturna com chuva, essa peça deixou de ser luxo e virou equipamento obrigatório.

Corredor sorrindo no saguão do aeroporto com o painel de voos ao fundo, vestindo a jaqueta preta impermeável Nord
O corta-vento Nord da Centauro, herói improvisado da noite. Ao fundo, o painel de voos do saguão. Foto: Night Run Floripa Airport.

Como era noturna, também comprei à parte (R$40) o kit de iluminação: uma lanterna de cabeça com fita de LED. Bem legal, funcionou bem, e ajuda tanto a ser visto quanto a enxergar nos trechos mais escuros em volta da pista.

O plano era passear. O corpo correu

Aqui está a parte engraçada. Eu entrei pra contemplar. A chuva me fez apertar o passo pra terminar logo e sair do frio. Resultado: corri muito mais forte do que planejava.

Os splits do Garmin mostram uma prova regular e puxada, nada de passeio:

KMPaceFCKMPaceFC
14:3714864:41161
24:3415874:38160
34:3316184:34161
44:3416294:27164
54:37162104:45162

A leitura mais honesta da noite está na frequência cardíaca: FC média de 160, máxima de 167. Isso não é ritmo de quem foi filmar avião. É ritmo de prova. A chuva ligou uma chave que eu não tinha planejado ligar.

Resultado:

MétricaValor
Tempo chip (oficial)44:40
Colocação geral39º
Garmin46:03 / 10,01 km / pace 4:36
FC média / máx160 / 167
Cadência média176 spm
Ganho de elevação~0 m (é aeroporto, plano total)
Calorias771

Trinta e nono no geral sem ter ido pra competir. Fica o registro de que forma de prova, quando está subindo, aparece até quando você não pede.

Os 300 metros que faltaram

Tem um detalhe que os números entregam e que vale a crítica: o percurso oficial fechou curto. O chip parou em 44:40 no arco, mas o meu relógio só bateu os 10 km em 46:03. Ou seja, faltaram uns 300 metros. No fim, pra fechar a distância cheia no Garmin, terminei correndo em círculo depois da linha de chegada.

Não é o fim do mundo numa prova de festa, mas quando a inscrição custa o que custou, o mínimo é o percurso bater a distância anunciada.

A conta da noite

E a inscrição custou. R$280 com a taxa. Pra um 10k, é caro, e essa é a minha maior ressalva à prova. Some a lanterna (R$40) e o corta-vento de emergência, e a noite pesou no bolso bem mais que uma corrida de rua comum.

Fora o preço, a organização não me deu do que reclamar: largada certa, estrutura ok, medalha, pós-prova caprichado. O outro ponto fraco foi a ausência de expo pré-prova (aquela feira de retirada com estandes e novidades que já virou parte da experiência nas provas grandes). Aqui não teve.

Arco de largada da Night Run Floripa Airport iluminado à noite, com o letreiro NIGHT RUN Floripa Airport e a marca Sportsland, chão molhado de chuva refletindo a luz
O arco da Night Run à noite, chão molhado, marca Sportsland embaixo. A cara da corrida. Foto: Night Run Floripa Airport.

O pós-prova salvou a experiência

Se a chuva atrapalhou a corrida, o pós-prova pagou parte da conta. E foi, de longe, o melhor pedaço da noite.

Tinha brindes das marcas patrocinadoras, Aperol grátis rolando, e um telão passando o jogo da Copa (a Copa do Mundo estava acontecendo). Terminar um 10k na chuva e cair num ambiente coberto, com uma bebida na mão e futebol de Copa no telão, é o tipo de experiência que justifica o formato “night run festa”. Foi muito legal.

No fim, é isso que a Night Run vende: não é a prova, é a noite. E a noite, mesmo debaixo de chuva, entregou.

Vale a pena?

Depende do que você procura.

  • Se você quer experiência: vale. Correr dentro de um aeroporto, em volta da pista, com avião passando, e cair num pós-prova de festa, é diferente de tudo. É memória, não é PR.
  • Se você quer custo-benefício de prova: pesa. R$280 num 10k que fechou 300 m curto e sem expo é cobrança de evento premium sem entregar tudo que evento premium entrega.

Pra mim, no meio da temporada, foi o respiro certo entre a seriedade do Circuito Catarinense e a maratona que vinha depois. Fui pela festa, levei uma prova de brinde, e saí com um corta-vento novo que virou item fixo da mala. Justo.

Fontes

Imagens:

  • Todas as fotos: Night Run Floripa Airport (confirmar crédito do fotógrafo oficial)

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