Night Run Floripa Airport 2026: fui pela festa e a chuva me fez correr
Uma corrida noturna de 10k dentro do Aeroporto Hercílio Luz, em volta da pista, com avião decolando e pousando do lado. Eu me inscrevi pela experiência, pra correr e contemplar. Aí choveu.
O que era pra ser passeio virou prova: fechei o chip em 44:40 e terminei em 39º geral, correndo a 160 batimentos de média sem ter planejado atacar nada. A chuva me transformou de turista em competidor.
Aqui fica o relato da noite mais diferente da temporada: o percurso pelo saguão de embarque, o corta-vento que salvou a corrida, os 300 metros que faltaram, a inscrição cara e o pós-prova com Aperol e telão da Copa.
Neste post
Gravei a prova inteira ao vivo no canal:
Por que eu fui: uma corrida dentro do aeroporto
Não teve nada de mandala aqui. A Night Run Floripa Airport foi prova avulsa, escolhida por um motivo só: a ideia de correr de noite em volta da pista do Aeroporto Hercílio Luz, com avião decolando e pousando do lado, é o tipo de cena que você não vê em corrida nenhuma.
E não é só a pista. O percurso passa por dentro do terminal, pelo saguão de embarque, escada rolante e tudo. É estranho e ótimo ao mesmo tempo: você corre num lugar onde normalmente está arrastando mala e olhando painel de voo.
A largada foi às 20h, a organização é da Sportsland (a mesma da Meia Oakberry de Floripa), e a proposta é clara: menos prova, mais festa. Tinha DJ antes da largada, espaço de festa montado, a coisa toda pensada pra ser uma noite boa. Eu entrei nessa. Fui pra correr tranquilo, filmar e curtir.
Aí choveu
Choveu forte no dia e continuou pingando durante a prova. À noite, com vento, virou aquele frio molhado que estraga qualquer plano de “correr contemplando”. O termômetro do relógio marcou de 18 a 22°C, mas a sensação com a roupa encharcada foi de frio de verdade.
A salvação foi de última hora: passei na Centauro e comprei um corta-vento impermeável selado da Nord (esse aqui). Recomendo demais. Segurou a água, cortou o vento e foi o que me deixou correr sem passar raiva. Numa prova noturna com chuva, essa peça deixou de ser luxo e virou equipamento obrigatório.
Como era noturna, também comprei à parte (R$40) o kit de iluminação: uma lanterna de cabeça com fita de LED. Bem legal, funcionou bem, e ajuda tanto a ser visto quanto a enxergar nos trechos mais escuros em volta da pista.
O plano era passear. O corpo correu
Aqui está a parte engraçada. Eu entrei pra contemplar. A chuva me fez apertar o passo pra terminar logo e sair do frio. Resultado: corri muito mais forte do que planejava.
Os splits do Garmin mostram uma prova regular e puxada, nada de passeio:
| KM | Pace | FC | KM | Pace | FC |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 4:37 | 148 | 6 | 4:41 | 161 |
| 2 | 4:34 | 158 | 7 | 4:38 | 160 |
| 3 | 4:33 | 161 | 8 | 4:34 | 161 |
| 4 | 4:34 | 162 | 9 | 4:27 | 164 |
| 5 | 4:37 | 162 | 10 | 4:45 | 162 |
A leitura mais honesta da noite está na frequência cardíaca: FC média de 160, máxima de 167. Isso não é ritmo de quem foi filmar avião. É ritmo de prova. A chuva ligou uma chave que eu não tinha planejado ligar.
Resultado:
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo chip (oficial) | 44:40 |
| Colocação geral | 39º |
| Garmin | 46:03 / 10,01 km / pace 4:36 |
| FC média / máx | 160 / 167 |
| Cadência média | 176 spm |
| Ganho de elevação | ~0 m (é aeroporto, plano total) |
| Calorias | 771 |
Trinta e nono no geral sem ter ido pra competir. Fica o registro de que forma de prova, quando está subindo, aparece até quando você não pede.
Os 300 metros que faltaram
Tem um detalhe que os números entregam e que vale a crítica: o percurso oficial fechou curto. O chip parou em 44:40 no arco, mas o meu relógio só bateu os 10 km em 46:03. Ou seja, faltaram uns 300 metros. No fim, pra fechar a distância cheia no Garmin, terminei correndo em círculo depois da linha de chegada.
Não é o fim do mundo numa prova de festa, mas quando a inscrição custa o que custou, o mínimo é o percurso bater a distância anunciada.
A conta da noite
E a inscrição custou. R$280 com a taxa. Pra um 10k, é caro, e essa é a minha maior ressalva à prova. Some a lanterna (R$40) e o corta-vento de emergência, e a noite pesou no bolso bem mais que uma corrida de rua comum.
Fora o preço, a organização não me deu do que reclamar: largada certa, estrutura ok, medalha, pós-prova caprichado. O outro ponto fraco foi a ausência de expo pré-prova (aquela feira de retirada com estandes e novidades que já virou parte da experiência nas provas grandes). Aqui não teve.
O pós-prova salvou a experiência
Se a chuva atrapalhou a corrida, o pós-prova pagou parte da conta. E foi, de longe, o melhor pedaço da noite.
Tinha brindes das marcas patrocinadoras, Aperol grátis rolando, e um telão passando o jogo da Copa (a Copa do Mundo estava acontecendo). Terminar um 10k na chuva e cair num ambiente coberto, com uma bebida na mão e futebol de Copa no telão, é o tipo de experiência que justifica o formato “night run festa”. Foi muito legal.
No fim, é isso que a Night Run vende: não é a prova, é a noite. E a noite, mesmo debaixo de chuva, entregou.
Vale a pena?
Depende do que você procura.
- Se você quer experiência: vale. Correr dentro de um aeroporto, em volta da pista, com avião passando, e cair num pós-prova de festa, é diferente de tudo. É memória, não é PR.
- Se você quer custo-benefício de prova: pesa. R$280 num 10k que fechou 300 m curto e sem expo é cobrança de evento premium sem entregar tudo que evento premium entrega.
Pra mim, no meio da temporada, foi o respiro certo entre a seriedade do Circuito Catarinense e a maratona que vinha depois. Fui pela festa, levei uma prova de brinde, e saí com um corta-vento novo que virou item fixo da mala. Justo.
Fontes
- Dados de prova: arquivo
.fitdo Garmin (splits, FC, cadência, elevação, calorias) e tempo de chip oficial - Corta-vento: Jaqueta impermeável selada Nord, Centauro
- Organização: Sportsland (mesma organizadora da Meia Oakberry de Florianópolis)
- Transmissão ao vivo da prova no canal Tênis e Milhas
Imagens:
- Todas as fotos: Night Run Floripa Airport (confirmar crédito do fotógrafo oficial)
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