Santos Dumont Run Brusque 2026: corri de brincadeira e quase subi no pódio
Era pra ser o 10k mais tranquilo da temporada. Tinha meia maratona na semana seguinte, então o plano era trote, filmar e ir embora. Só que era aniversário da minha esposa, que tirou o dia de folga da função de staff, e eu queria terminar logo pra passar o dia com ela.
Aí a pressa virou prova. Vi no meio do percurso que estava rápido, larguei o freio, e fechei o último quilômetro a 4:15. Resultado: 44:54 no chip, 4º na M40-44, a 1min12 do pódio. Correndo de Vomero Plus, tênis de amortecimento, não de prova.
Relato da Santos Dumont Run, "a corrida de Brusque", numa manhã de neblina e asfalto encharcado da chuva da noite.
Neste post
Transmiti a prova ao vivo no canal:
A prova que não era pra ser prova
O plano da Santos Dumont Run era o mais simples da temporada: correr de leve. Eu tinha uma meia maratona marcada pra semana seguinte, então esse 10k entrava como treino de taper, uma corrida pra filmar e curtir, sem colar o dedo no acelerador.
Tinha mais um motivo pra não me matar: era aniversário da minha esposa. Ela é a staff da operação, quem segura a ponta pra eu conseguir correr, e no dia dela tirou folga, ficou em casa descansando. Sem crew, sem foto na chegada, sem ninguém me esperando na arena. E era exatamente isso que eu queria: terminar rápido pra ir pra casa passar o dia com ela.
Ironia da manhã: foi a vontade de ir embora logo que me fez correr forte.
Frio, neblina e chão espelhado
Choveu forte a noite inteira antes da prova. Na hora da largada, às 7h, a chuva tinha dado trégua, mas deixou o cenário: frio de junho, neblina baixa e asfalto encharcado, com poças espelhando os corredores. Pra correr, foi tranquilo. Pra fotografar, ficou lindo.
Vi que tava rápido e larguei o freio
A virada de chave aconteceu no meio do percurso. Olhei o relógio, vi que estava num ritmo bom sem forçar, e a conta foi automática: se acelerar, termino antes e chego mais cedo em casa. Larguei o freio.
Os splits mostram a decisão acontecendo em tempo real. A FC sobe junto com o pace caindo, quilômetro após quilômetro, até o último a 4:15 com 167 de frequência:
| KM | Pace | FC | KM | Pace | FC |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 4:37 | 137 | 6 | 4:27 | 160 |
| 2 | 4:30 | 149 | 7 | 4:41 | 159 |
| 3 | 4:29 | 153 | 8 | 4:28 | 161 |
| 4 | 4:26 | 156 | 9 | 4:23 | 163 |
| 5 | 4:33 | 158 | 10 | 4:15 | 167 |
Negative split de manual, sem ter sido planejado. Comecei a 4:37 tranquilo e fechei acelerando forte. Não é assim que se corre uma prova que “não é pra ser prova”.
Resultado:
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Tempo chip (líquido) | 44:54 (bruto 45:09) |
| Pace médio | 4:29 min/km |
| Colocação geral | 26º |
| Colocação M40-44 | 4º |
| Garmin | 45:08 / 10,05 km |
| FC média / máx | 156 / 170 |
| Cadência média | 176 spm |
| Calorias | 752 |
O quase-pódio (e o tênis errado)
Aqui a prova de brincadeira mostrou o dente. Fechei em 4º na minha categoria, a 1min12 do pódio:
| Pos. M40-44 | Atleta | Tempo | Geral |
|---|---|---|---|
| 1º | Michel de Souza | 40:19 | 10º |
| 2º | Paulo Rodrigo de Oliveira | 42:54 | 18º |
| 3º | Ricardo Rodrigues | 43:42 | 21º |
| 4º | eu | 44:54 | 26º |
Um minuto e doze segundos do bronze, numa prova que eu entrei pra trotar. Dá pra ficar remoendo o “e se”. E o “e se” tem nome: eu corri de Nike Vomero Plus, que é meu tênis de amortecimento pra longão e treino pesado, não tênis de prova. No fim, com o pace lá embaixo, cansei mais do que devia justamente porque estava no calçado errado pra acelerar. O Vomero protege as pernas de quem passa dos 80 kg como eu, mas não é feito pra buscar tempo num 10k.
A leitura fria: se eu tivesse ido com o Megablast e a intenção de competir, aquele 1min12 talvez não existisse. Mas aí não seria a história dessa prova. A graça foi essa, correr de brincadeira e descobrir que a forma tava lá.
Organização nota 10
Sobre o evento em si, nota máxima. A Santos Dumont Run, que se apresenta como “a corrida de Brusque”, entregou uma organização impecável: largada certa, percurso bem sinalizado, apoio no lugar e estrutura de sobra pra um 10k/21k de cidade. Nada a reclamar. É o tipo de prova regional bem-feita que vale ter no radar de quem corre no Vale do Itajaí.
Não usei gel nem carboidrato nessa: 10k em jejum de estratégia, no susto, sem plano de nutrição. Não precisou.
O que fica
A Santos Dumont Run entrou como treino e saiu como um dos resultados mais curiosos do ano: 4º de categoria, a um passo do pódio, de tênis errado, num dia que eu nem ia competir. Prova de que forma de corrida, quando está no ponto, aparece até quando você não convida.
E o mais importante do dia foi cumprido: terminei rápido, tirei a medalha, e fui pra casa comemorar o aniversário da minha staff favorita. Ela merecia a folga. Eu ganhei um quase-pódio de brinde.
Fontes
- Resultado oficial: Santos Dumont Run Brusque 2026, 10k (bib 1438, Team Samuka), chip líquido 44:54, 26º geral, 4º M40-44
- Dados de prova: arquivo
.fitdo Garmin (splits, FC, cadência, elevação, calorias) - Transmissão ao vivo da prova no canal Tênis e Milhas
- Team Samuka, assessoria
Imagens:
- Todas as fotos: Santos Dumont Run / Brusque (fotos oficiais da prova)
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